sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O tempo

Há pouco estava ali, e em um piscar de olhos se foi;
Como um sonho bom, que acaba sem querer;
Como um doce que derrete nas mãos;
Havia tempo pra matar ;
Mas um tempo que não deveria morrer, que não era pra ser historia.
A historia é um pedaço que se vai, e só existe para que nos lembremos do que deixamos de fazer.  Para que vejamos o quanto morremos.
Nem lembro o quanto fui bom, se é que fui algum dia.  Passou tão rápido que nem percebi;
Matei muito tempo, matei muito de mim mesmo.  Que tolice a minha, agora corro atrás.
Mas o sol passa e não há como alcançá-lo. Quando voltar já não será o mesmo.  Nem eu.
O frescor na pele não é o mesmo.  - Que coisa!  Acho que estou mais amargo, mais duro.  O tempo faz isso com a gente e nem percebemos.  Somos opostos de quem fomos e odiamos o que amamos um dia.  - Muito estranho! – É como a rocha na água, vamos sendo moldados sem querer.
Foi tudo tão rápido, e agora é uma corrida contra o relógio. Fiz tão pouco e passou tanto tempo, não era pra ser assim.

Seguir viagem

Seguir viagem...
Andar pelo velho caminho,
Conhecer caminhos novos
Deixar o passado onde está,
Seguir com o vento no rosto.
A saudade está comigo
Mas a vontade de viver é grande
Seguir viagem,
Sem pensar no que virá
Com um certo medo que nos é peculiar nessas horas
Esquecer que queria e que devia, e todos os futuros do pretérito
Tentar cada possibilidade de fazer diferente
E fazer diferente em cada chance
Respirar todo o ar que puder por nos pulmões
Ver o mais longe que as vistas alcançarem
Andar até quando tiver vontade e
então, quem sabe, descansar um pouco,
Ou até fazer morada junto de alguma árvore
Ou ainda de alguma grande pedra que tenha sombra.
Seguir viagem...

Novos horizontes

Queria desaprender, esquecer um pouco, porque tudo é pesado e cansativo. Não quero gerenciar a rotina e nem viver a altas rotações. O que me interessam os “embalos de sábado a noite”? – ou a evolução da taxa selic, que influenciará diretamente o bolso de quem já tem muito? - Quero viver um pouco com os pés na grama e o vento no rosto, com as mãos na terra e a cabeça onde ela deveria estar. Aqui mesmo. - Porque viver nas nuvens, se é aqui sob o sol que se nasce, morre, e onde tudo se decide? Quero seguir pelos caminhos inóspitos e longínquos e abrir todas as portas por que cruzar. Quem sabe encontro algo que faça ouro virar água! – Em algum tempo seria a descoberta do século, ou da “vida”.
O existir prevalece às teorias de deuses e santos, de céu e inferno. Tudo se resume em existir, em fazer sua parte e tudo andará como tem de ser. Com orações ou não, com genoma mapeado ou ao acaso. Então a ordem é esquecer as explicações metafísicas e pressupostos e viver pelas próprias leis, ou sem elas.
Não me interessam os budistas ou os cristãos, ou se os opostos se atraem. Se Darwin estava certo ou não. São coisas irrelevantes perto da única chance que temos de existir.

Fé cega

Não tenho fé nenhuma
Sou descrente e incrédulo
Sou adepto do acaso
Sou avesso a destinos e a karmas,
E só vejo o que creio
Tenho os olhos atentos para o mundo
Para as coisas de verdade,
Para as coisas que existem.
Não vejo a imaginação,
Vejo o real, as chamas, o sangue e o suor
Vejo as lagrimas que caem pelo rosto inocente.
Vejo a vida que se esvai levada pelo tempo.
Vejo o tempo que me leva
Me leva às cegas ao desconhecido
Porque o desconhecido é meu destino.